Michael Jackson (1958 - 2009)

''Ele não está respirando''

O pedido de socorro foi feito ao Corpo de Bombeiros de Los Angeles, na manhã de quinta-feira (25). Horas depois, o Rei do Pop era declarado morto vítima de um ataque cardíaco

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A ambulância com Michael Jackson dentro sai da mansão em direção ao hospital Ronald Reagan UCLA Medical Center

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No início da noite de quinta-feira (25), o Corpo de Bombeiros de Los Angeles divulgou a gravação do telefonema feito por um dos empregados da mansão de Michael Jackson para o serviço de emergência da cidade. Na conversa, que durou um minuto e 50 segundos, o empregado da mansão e segurança do astro, conhecido como Tippy, explica que Michael está inconsciente e não reage à manobra de reanimação. Na gravação ainda se ouve ao fundo a voz do médico particular de Michael, o dr. Conrad Murray, 51. Leia a transcrição completa do pedido de socorro.

911: Paramédico Mark, idade 33, qual é a natureza da emergência?

Casa MJ: Sim, senhor, eu preciso... eu preciso de uma ambulância o mais rápido possível, senhor.

911: OK, senhor. Qual é seu endereço?

Casa MJ: Los Angeles, Califórnia, 90077.

911: Carolwood?

Casa MJ: Carolwood

Drive, sim.

911: Qual é o número do telefone do qual está ligando? E qual é exatamente o problema que está acontecendo?

Casa MJ: Nós temos um senhor aqui que precisa de ajuda e ele não está respirando. Ele não está respirando! Nós estamos tentando reanimá-lo, mas ele não está... ele não está...

911: OK, OK. Quantos anos ele tem?

Casa MJ: Ele tem 50 anos de idade, senhor.

911: 50. OK. Ele está inconsciente, ele não está respirando?

Casa MJ: Sim, ele não está respirando, senhor.

911: OK, e ele também não está consciente?

Casa MJ: Não, ele não está consciente, senhor.

911: OK. Ele está no chão? Onde ele está agora?

Casa MJ: Ele está na cama, senhor, ele está na cama.

911: OK, vamos colocá-lo no chão.

Casa MJ: OK.

911: OK, vamos colocá-lo no chão agora, vou te ajudar a fazer a manobra de reanimação.

Casa MJ: OK, nós precisamos que ele... nós precisamos.

911: OK, enquanto nós estamos a caminho, vou fazer o que puder para o ajudar pelo telefone, enquanto estamos longe. Alguém o viu?

Casa MJ: Sim, nós temos um médico particular aqui com ele, senhor.

911: Ah, vocês tem um médico aí?

Casa MJ: Sim, mas ele não está respondendo a nada. Não, não. Ele não está respondendo às manobras de ressuscitação, a nada.

911: Ah, OK. Estamos a caminho. Se vocês fizeram as manobras de ressuscitação com a orientação de um médico, ele tem mais autoridade do que eu, porque ele está aí. Alguém presenciou o que aconteceu?

Casa MJ: Não. Só o médico, senhor, o médico era o único aqui.

911: OK. Então o médico viu o que aconteceu?

Casa MJ: Ah, doutor, você viu o que aconteceu? (ouve-se a voz do médico ao fundo)... Senhor, se vocês puderem, por favor...

911: Estamos a caminho. Estamos a caminho. Eu vou passar essas perguntas aos paramédicos enquanto eles estão a caminho.

Casa MJ: Obrigado, senhor. Ele está forçando o peito dele, mas ele não está respondendo a nada.

911: OK, OK, nós estamos a caminho. Estamos a menos de uma milha (1,6 quilômetro) daí, chegaremos em pouco tempo.

Casa MJ: Obrigado, senhor, obrigado.

No início, tudo parecia uma brincadeira. Michael Jackson tomou seus medicamentos e foi para a sala de sua mansão alugada em Holmby Hills, Los Angeles. Pouco mais de meia-hora depois, ele se levantou, começou a andar cambaleante e caiu em colapso. O médico particular do astro, Conrad Murray, 51 anos, correu em sua direção e começou a fazer as massagens de reanimação. O filho mais velho de Jackson, Prince Michael I, 12, teria visto tudo ao lado do amigo e empresário do cantor, Frank DiLeo, 61, e do segurança apelidado de Tippy, responsável pela ligação ao corpo de bombeiros. O relato dos últimos minutos do Rei do Pop foi confirmado, no domingo (28), pelo biógrafo Stacy Brown, coautor do livro The Man Behind the Mask e amigo de longa data da família Jackson, ao jornal New York Post. Duas horas depois do pedido de socorro feito pelo telefone de emergência, na quinta-feira (25), a equipe do hospital Ronald Reagan UCLA Medical Center declarava Michael Joseph Jackson morto aos 50 anos em decorrência de uma parada cardíaca.

Apesar do site TMZ ter confirmado a morte do músico assim que a equipe médica parou com as tentativas de ressuscitação, feitas desde que a ambulância chegou à casa do astro, a declaração oficial do hospital só foi feita às 16h35 (horário de Los Angeles), pelo chefe de legistas do condado de Los Angeles, Craig Harvey. Neste momento, o corpo de Jackson já havia sido transportado de helicóptero ao necrotério para ser submetido a uma autópsia que determinaria a causa exata da morte - segundo Harvey, não havia sinais de traumas e apenas o exame toxicológico, previsto para sair em seis semanas, poderá determinar com exatidão as causa da morte. Fontes ligadas à família afirmam que Michael era viciado em Demerol, analgésico à base de morfina desde 1984, quando sofreu queimaduras de segundo grau durante as gravações de um comercial. Michael chamaria as injeções diárias de ''tônico da vitalidade'' e, por causa da saúde debilitada do astro, o jornalista Stacy Brown teria dito, em 2005: ''Michael não deve durar dez anos''.

Primeiras providências
Jermaine Jackson, 55, irmão do cantor, falou à imprensa em nome da família, em uma coletiva organizada no hospital no fim da tarde de quinta-feira. ''Nós todos amamos estar com você, Michael. Nós te amamos'', declarou emocionado o ex-The Jackson 5, depois de explicar que uma equipe de médicos tentou reanimar o cantor por mais de uma hora. O corpo do cantor foi liberado para a família no dia seguinte, às 21h30. Insatisfeitos com os resultados da autópsia feita pelas autoridades oficiais e ansiosos por determinar qual foi a causa da morte do astro, os familiares de Jackson decidiram pedir uma segunda autópsia, realizada no sábado (27), sob a responsabilidade de um médico particular.

Os detalhes do funeral começaram a ser definidos no próprio sábado, na casa da família, em Encino, Califórnia. A primeira providência tomada foi recolher todos os pertences que o cantor deixou na mansão alugada. No início da tarde, a irmã do cantor, Janet Jackson, 43, entrou na propriedade acompanhada por dois caminhões de mudança. Horas depois, eles deixaram o local levando os objetos pessoais de Michael.

Guarda dos filhos
Os três filhos do cantor - Prince Michael I, Paris Michael Katherine, 11, e Prince ''Blanket'' Michael II, 7 - estão sob os cuidados dos avós, Katherine e Joseph Jackson. A mãe das duas crianças mais velhas, a enfermeira Debbie Rowe, ainda não entrou com pedido de guarda dos filhos, mas a família de Michael já anunciou que não se opõe a uma reaproximação deles. Apesar disso, o advogado dos Jackson, Brian Oxman, disse que a avó, Katherine, seria a escolha natural para cuidar dos pequenos. ''Ela mantém todos os netos por perto'', declarou à People.

No domingo, os familiares fizeram uma manifestação pública com uma carta enviada à imprensa: ''Em um dos momentos mais obscuros de nossas vidas, é difícil encontrar palavras apropriadas para esta tragédia súbita que nos abateu. Nosso amado filho, irmão e pai de três crianças, se foi inesperadamente, de uma maneira tão trágica e muito cedo. Ele nos deixa sem palavras e devastados ao ponto de a comunicação com o mundo exterior às vezes parecer impossível. Nós sentimos falta de Michael e nossa dor não pode ser descrita em palavras. Mas Michael não gostaria que desistíssemos agora. Então, gostaríamos de agradecer a todo o apoio sincero dos fãs ao redor do mundo - os quais Michael tanto amava. Por favor, não se desesperem, porque Michael vai continuar a viver em cada um de nós. Continuem a espalhar sua mensagem, porque era isso que ele gostaria. Aguentem firmes, assim seu legado viverá para sempre''.

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