Gente e histórias

Cara a cara com a morte

A apresentadora Nani Venâncio conta como se recuperou de uma cirurgia no cérebro graças às orações que fizeram para ela

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Foto: Thiago Bernardes

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Depois de 14 tentativas de fertilização in vitro, a apresentadora Nani Venâncio, 41 anos, e o marido, o empresário Mauro Morizono, 58, tinham motivos de sobra para comemorar a chegada da filha caçula, Moira. Tudo correu bem, a gravidez foi tranquila e a menina nasceu de parto normal, em 18 de agosto, pesando 3,73 quilos e com 52 centímetros. Porém, 13 dias depois de receber alta da maternidade, Nani passou a sentir fortes dores de cabeça. Entre idas e vindas de consultórios médicos e hospitais, acabou ficando cara a cara com a morte.

Dividida entre os preparativos de uma festa-surpresa para comemorar o 14º aniversário da filha mais velha, Manasha, e os cuidados com Moira, Nani achava que a cefaleia era causada pelo cansaço e não deu muita importância. Mas, na tarde de segunda-feira, 31 de agosto, rendeu-se à dor e foi ao pronto-socorro. ''Eles me deram um remédio na veia e fui embora para casa. Mas a dor não melhorou'', conta.

Na madrugada seguinte, por volta das 4h30, enquanto amamentava Moira, uma crise profunda fez a apresentadora perder a visão. ''Eu só me lembro da minha filha no meu colo, estava dando de mamar e fiquei cega. Aí comecei a gritar 'não estou vendo!, não estou vendo!' A enfermeira que cuida da Moira veio me socorrer, pegou minha mão e colocou na cabeça da menina para eu saber que ela estava ali. A partir daí não lembro de mais nada.''

Entre a dor e a inconsciência, Nani arrumou força para telefonar para sua irmã, Joana, 42. ''Ela me ligou e disse: 'Joana, estou muito mal'. Desliguei o telefone e fui correndo para a casa dela. Quando cheguei, disse: 'Nani, vamos para o hospital'. Ela começou a chorar e falou que só iria depois que amamentasse Moira. E ela amamentou chorando. Então segurei as duas mãos dela e fui andando pelo apartamento de costas, para guiá-la até a porta porque ela não estava enxergando. Os olhos dela estavam sem brilho, fiquei assustada'', relembra a irmã.

A caminho do hospital, Joana ligou para o médico da família, que a orientou a pedir uma tomografia em Nani assim que chegassem. O exame, que só foi feito depois de alguma insistência da paciente, mostrou um coágulo do tamanho de um limão na parte posterior direita da cabeça da apresentadora. 
''Ao longo do dia seguinte ela ficou tomando remédios para tentar diminuir a pressão no cérebro, mas isso não acontecia. No fim do dia, o médico decidiu fazer a operação. Ele convocou a família e pediu que estivéssemos lá às 20h para conversar. Às 22h30 Nani entrou na cirurgia e só saiu às 5h da manhã.''

''O médico brincou comigo dizendo que nunca tinha serrado uma cabeça tão dura''
Das sete horas de cirurgia, uma hora e meia foi para serrar uma abertura do tamanho de um palmo no crânio da apresentadora. ''Quando acordei, o médico brincou comigo dizendo que nunca tinha serrado uma cabeça tão dura. Deve ser porque passei a infância em Minas Gerais, à base de muito leite'', diz a já bem-humorada Nani, que saiu de Galiléia, interior de Minas, para São Paulo aos 25 anos.

Os dois dias seguintes da cirurgia na UTI, sob o efeito de sedativos, passaram em branco para Nani. Só ficou em sua memória uma voz que a acalmava e a confortava. ''Quando estava sedada escutava sempre uma voz que dizia: 'respira e olhe aqui'. Quando olhava, via aquela luz verde fosforescente e escutava sempre essa voz que me dizia para respirar fundo porque isso ia me fazer bem. Isso foi o tempo todo.'' Joana, que não saiu de perto da irmã, confirma essa história. ''A Nani respirava fundo no meio da madrugada, e ninguém sabia por que ela fazia isso.''

De família católica, Nani acredita que a voz e a luz eram energias boas, frutos de orações feitas por muitas pessoas de várias religiões em favor de sua saúde. ''Depois eu fiquei analisando... Verde é a cor da saúde, e acho que respirar fundo ajudava a oxigenar o cérebro. Eu acredito na fé. Não sabia o que estava acontecendo comigo, mas em nenhum momento tive medo, não me senti abandonada nem sozinha por causa desse conforto. A fé me tirou do hospital.''

''Você lá, entubada, não tem noção do que está acontecendo''
Foram 18 dias de internação, que ainda estão confusos na memória de Nani. ''Você lá, entubada, não tem noção do que está acontecendo. Aquela luz sempre acesa do hospital vai lhe confundindo. Acho que as pessoas desistem quando estão com uma coisa assim mais grave porque para tudo'', reflete. Para não cair em depressão, ela se apegou ao instinto de proteger as filhas. ''Ficava agoniada porque queria ver a caçula. A mais velha foi uma fofa, ficava lá o tempo todo, nós somos muito amigas. Ela amadureceu muito durante esse processo'', conclui emocionada, com os olhos já brilhantes, cheios de lágrimas.

Há um mês, quando recebeu alta, Nani Venâncio mal tinha forças para caminhar. ''Perdi 12 quilos, estava muito fraca, meu rosto ficou preto e amarelado e estava com as marcas dos tubos e das agulhas. Aí comecei a pensar em mim. Se despertei e voltei, é porque tenho um propósito.'' E foi com essa força de vontade de viver que a sua recuperação começou para valer. ''Tive uma nova chance'', comemora.

Apesar de todo esse sofrimento, sua única lamentação é o fato de ter interrompido a amamentação de Moira. ''Quando fui internada, tiraram todo o leite e enfaixaram meus seios para que o leite não tivesse espaço. Ficou tão apertado que eu parecia um homem.'' Ao voltar para casa, ela tentou dar o peito novamente para a caçula, mas a menina já estava acostumada à mamadeira.

Pronta para voltar ao comando do A Tarde É Show, que apresenta diariamente na Rede Brasil de Televisão, Nani retoma apenas com a grande cicatriz em formato de ferradura na nuca. Ela também perdeu momentaneamente parte da visão periférica, que já está recuperando com exercícios, jogos de computador e palavras cruzadas. Sobre o coágulo, os médicos explicaram que pode ser uma conjunção de fatores como idade, o tratamento de fertilização e a predisposição genética. ''Tudo na vida tem um porquê. Tinha de acontecer e eu tinha de passar por isso. A única coisa que eu descobri mesmo foi o poder da oração e da fé.''

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