Paula Braun

A atriz ganhou popularidade em O Cheiro do Ralo, namora o galã Mateus Solano e seu mais recente filme, O Sonho Bollywoodiano, é finalista da 33ª Mostra Internacional de Cinema

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Quem acompanha a produção da nova safra do cinema brasileiro ouviu falar da atriz Paula Braun antes de seu namorado, Mateus Solano, estourar como o Ronaldo Boscoli na minissérie Maysa, Quando Fala o Coração. Paula ficou famosa ao protagonizar ao lado de Selton Mello o longa-metragem O Cheiro do Ralo, segundo filme do cineasta Heitor Dhalia. Ela, ou melhor, seu bumbum, era o maior sonho de consumo do rapaz. Em O Sonho Bollywoodiano, a temática brasileiríssima vem à tona novamente. Ela vive Ana, uma dançarina que tem sua imagem de brasileira gostosa explorada.


A ideia inicial da diretora Beatriz Seigner com as filmagens em Bollywood era a de produzir um documentário, mas em uma conversa com você, ela decidiu por ficção, O Sonho Bollywoodiano, inspirada nos conflitos pessoais de vocês. Como sua colaboração ajudou no processo de criação do longa?
Eu participei desde o comecinho da ideia e fui uma das colaboradoras na construção do roteiro. Basicamente, a Bia perguntou sobre o que eu tinha vontade de falar. A Ana (minha personagem) era dançarina e rebolava num programa de televisão. O corpo, a imagem da ''gostosa brasileira'', era tudo o que era explorado nela. Eu queria falar de uma descoberta maior, interior, uma busca pelo que somos na essência, levantar questões de como viver a vida se descobrindo a cada dia da forma mais bonita. A Bia é muito sensível e soube traduzir isso na direção e na escrita.


A estética dos filmes indianos é bem diferente das nossas produções. Como foi trabalhar com essa diferença? Foi muito difícil fazer os produtores indianos desistirem de usar os ventiladores para deixar os cabelos esvoaçantes?

Eles não desistiram! Rompemos com eles no primeiro dia de filmagens e procuramos assistentes que tinham uma estética mais condizente com a nossa. Achamos três indianos estudantes de cinema que toparam cair na estrada com a gente e trabalhar do jeito que queríamos. A estética indiana é cheia de música, coreografias, maquiagem forte e ventiladores nos cabelos (risos). A gente quis passar pelas situações da maneira mais verdadeira possível. O filme é meio documental por isso, as situações estavam ali, a gente só vivia e a Bia filmava.


Vocês fizeram um lance meio Borat, se meteram em figurações de outros filmes para dar mais realidade? Gostaria que comentasse uma passagem que tenha achado interessante.
Sim. Tem muita coisa que não entrou no filme. Eu fiz um desfile na praia, muito brega, com pouca roupa, que realmente aconteceu lá e foi transmitido pela TV indiana. Fiquei desesperada e em crise, porque aquilo não tinha nada a ver comigo. Mas conseguimos autorização e a Bia filmou meu descontrole. Uma pena não ter entrado. A Lorena dançou de verdade num filme Bollywodiano pra gente poder filmar. Ainda bem que deixaram...


O que mais marcou você nessa viagem?
A saudade dos que ficaram, a relação com as outras atrizes, a pobreza esmagadora e a conformidade do povo indiano, porque faz parte da cultura deles acreditar que aquilo é karma, que em outra vida tudo pode mudar. Também o fato de estar completamente desprotegida numa terra diferente, uma cultura oposta aos valores ocidentais. Mulher lá não tem muita voz, a gente tinha que falar alto, firme e com segurança. As amizades que fiz por lá também ficarão no coração, voltei outra pessoa.


Você já tinha viajado à India? Qual foi a sua maior impressão?
Nunca. Esse era o barato. As personagens também não, então as minhas impressões ficaram na Ana e as dela em mim. Eu me espantei com a pobreza e a ingenuidade dos indianos, mas também com a generosidade e inteligência. Eles têm uma educação muito boa em escolas e faculdades. E o contraste de tudo, o que é bonito está ao lado do feio, o cheiro de flores com o cheiro de esterco, e por aí vai.


Você participou do primeiro filme do Dhalia, protagonizou o segundo, só do terceiro, À Deriva, você não participou. Houve convite? Vocês são amigos?
O Heitor é um grande amigo, alguém por quem tenho gratidão, respeito e muita admiração. Meu confidente! Até brincamos que faria uma participação em À Deriva, mas não. Outros virão, com certeza, tem muito tempo pela frente.


Você participou da série Tudo Novo de Novo. Tem projetos para a TV?
Não tenho nenhum projeto para a TV neste momento. Estou me dedicando aos filmes que fiz, aos que vou fazer e aos que estou produzindo. Mas não descarto a hipótese de voltar a fazer algo na TV. De preferência, tão bom quanto foi o Tudo Novo de Novo. Trabalhar com a Denise (Saraceni) foi um aprendizado.


Seu namorado, Mateus Solano, sempre fala com muito carinho de você. Diz, inclusive, que você é o porto seguro dele e que se chamam de namoridos. O que sente quando o vê atuar em Viver a Vida?

Tenho acompanhado todos os capítulos, os que não consigo assistir baixo na internet. Fico muito orgulhosa pelo trabalho dele. É um ator maduro, dedicado, e merece todo o reconhecimento do mundo.


Vocês têm a mesma profissão. Ajudam-se muito ou cada um tem uma técnica, um jeito de trabalhar totalmente distinto?
A gente se ajuda, se apoia, conversa muito o tempo inteiro. Aprendemos o tempo inteiro um com o outro. Temos caminhos diferentes, não diria técnica. Ator trabalha com o coração o tempo inteiro, com a alma, vontade, disciplina, sensibilidade... E isso é comum em todo ser humano.

 

Assista ao trailer:

 

 



 

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