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Paralisia de Luciana: um drama com 'D' maiúsculo

06 Nov 2009 14:59

Foto: Globo/ Divulgação


Prometi a mim mesmo que esta semana fugiria de Viver a Vida. Mas não consegui. Parece que tem um ímã que me liga à trama de Manoel Carlos. Mas isso é uma característica da obra do autor. Você pode até não gostar das novelas dele, mas é quase impossível não se envolver em debates sobre as criações do autor. Maneco é mestre nisso: colocar suas histórias na boca do povo. E é o que vai acontecer com ainda mais força depois da paralisia de Luciana (Alinne Moraes).

As cenas do acidente foram muito bem feitas. Senti-me dentro daquele ônibus, rolando pela ribanceira e jogando os corpos das modelos para todo lado. As sequências seguintes também foram de arrepiar. Luciana imobilizada na maca, e Helena (Taís Araújo) desesperada com o destino da enteada. Ao mesmo tempo, a angústia de Tereza (Lilia Cabral) em casa, sem imaginar que estava tendo uma premonição do drama que mudará a vida da sua filha para sempre, também deu um nó na garganta. Taís e Lilia arrasaram e dava vontade de segurar suas mãos para dar algum conforto. Acho a direção da novela um tanto quanto exagerada, mas nessas cenas tudo foi dosado na medida certa: os efeitos especiais, a emoção dos atores e as marcações do elenco, tudo estava no ponto.

Nesse primeiro momento a raiva do público pela Helena (Taís Araújo) só vai aumentar. Assim como Luciana, Tereza e cia., boa parte dos espectadores vai culpar Helena por Lu ter ficado tetraplégica. A partir de agora é a chance de Alinne Moraes mostrar todo seu talento de intérprete. Diferente de muita gente, detestei sua atuação como a Silvia, de Duas Caras (2007). Ela fazia caras e bocas demais, gritava além da conta e seus lábios pareciam tão grande que até assustava. Mas eu já havia tirado o chapéu para a moça, por causa de seu desempenho em Viver a Vida, mas agora é a verdadeira prova de fogo para a atriz. A transição de menina mimada e voluntariosa para mulher sofrida, guerreira e determinada vai exigir demais de Alinne. Qualquer deslize em sua atuação ou na direção de Jayme Monjardim pode botar a perder um trabalho brilhante. Como a trama já é sofrida além da conta, Alinne terá de se manter no fio da navalha, caso contrário corre o risco de deixar tudo caricatural demais. E não há nada pior numa novela do que uma caricatura, um personagem exagerado...

Estou muito curioso também para ver como Mateus Solano irá lidar com as reações de Jorge e Miguel frente ao sofrimento de Lu. Aconselho a quem está acompanhando a novela diariamente e até mesmo àqueles que só assistem a Viver a Vida de vez em quando para falar mal que compre algumas caixinhas de lenços de papel. Você vai precisar ter um coração de pedra para não se envolver com tanto drama. Eu já comprei as minhas...



Postado por: Elisa Duarte | 06/11/2009 | (38) Comentários

Existe salvação para a amarga Tereza?

30 Out 2009 14:12

Foto: TV Globo/Zé Paulo Cardeal || TV Globo/Rafael França


Participei esta semana de uma discussão sobre Viver a Vida que eu quero compartilhar com você. Estava reclamando que não teria paciência para aturar a amargura de Tereza (Lilia Cabral). Se fosse amigo ou parente dela, certamente já teria dado um tempo nas lamentações da dondoca. E olha que eu sou conhecido por ser um bom ouvinte para as mazelas alheias. Gosto de ajudar e dar apoio a quem precisa. Mas tem limite! Entendo perfeitamente que Tereza esteja sofrendo com o fim de seu casamento de 30 anos. É normal, você perde a referência e fica sem rumo. Mas me irrita ver a desocupada despejar todas as suas frustrações em cima de Helena (Taís Araújo). “Não acredito que Marcos (José Mayer) me trocou por aquelazinha”, reclamou ela para Ingrid (Natália do Vale) e Betina (Letíca Sabatella). A questão é que a ex-modelo não foi trocada por ninguém. Ela decidiu encerrar um casamento fracassado, mas não quer que o ex-marido seja feliz. Acho isso egoísta, baixo e indesculpável. Não sei se você reparou, mas Tereza está sempre acabando com a alegria de alguém. O grupo pode estar rindo, se divertindo, curtindo a vida, que ela se aproxima, vomita suas queixas e deixa todos no maior baixo astral. É claro que a irritação que a personagem me provoca é resultado do trabalho magnífico da deusa Lilia Cabral.


Lilia é o tipo de atriz que não desperdiça nenhuma vírgula do texto que está interpretando. E dá veracidade a qualquer tipo de papel que cai em suas mãos. Com ela não tem isso de ser protagonista ou coadjuvante. Lilia é sempre o centro das atenções. Agora, em Viver a Vida, então, ela está se esbaldando. Atropela todos os colegas de cena como um trator. Não sobra espaço para ninguém. E olha que Alinne Moraes, Mateus Solano, Natália do Vale, Adriana Birolli e Letícia Spiller estão muito bem também.


Reprodução 


Só que, apesar de me deliciar com a atuação maravilhosa de Lilia Cabral, tem horas que Tereza me tira do sério. Mas aí ouvi uma resposta que me derrubou: “Jorge, mulher é assim. Diz sim, querendo dizer não, e vice-versa... Rompe um casamento em que não foi feliz, mas quer que o marido implore para reatar. E não suporta o novo amor do seu ex-amor em hipótese nenhuma. Vai achar sempre que foi trocada”. Are baba! Faz sentido. Rita Lee já cantou que “mulher é bicho esquisito, todo mês sangra. Um sexto sentido maior que a razão...” Acabei descobrindo que conheci algumas Terezas. Uma amiga botou o marido para fora de casa, jogou tudo dele pela janela e passou um ano sozinha. Sem arrumar nem uma paquerinha. E quase infartou quando descobriu que ele iria morar com outra garota, que havia surgido na vida dele meses depois da separação. A “titular” quase morreu de tristeza, só chamava a “rival” de piranha e fez até mandinga para que a novo casamento do cara fracassasse. Até hoje, apesar de ela ter arrumado outro namorado, ainda se refere ao marido como o filho da p..., que a trocou por aquela baranga. Detalhe: a moça é linda. Parece Letícia Sabatella. Espero que minha amiga não leia isso (risos)...


Reprodução 


Percebi que existem mesmo várias Terezas perdidas por aí. Espero não cruzar com nenhuma delas tão cedo, porque gosto de pessoas que superam as adversidades e encaram a vida de frente. Mas quero muito que a socialite da trama de Manoel Carlos arrume logo um novo amor. E possa entender como Marcos e Helena se sentem. De repente um cara legal pode transformar Tereza numa pessoa melhor. Até onde eu sei ela irá se envolver com um garotão. O problema é que o tal rapagão é interpretado por Rodrigo Hilbert, ator que se saiu tão bem como o bandido Ronildo, de Duas Caras (2007), mas não conseguiu mais acertar no tom de seus personagens. Rodrigo está dentro da classificação dos atores estilo Cigano Igor (papel de Ricardo Macchi em Explode Coração): ele é tão inexpressivo que, muitas vezes, parece que ele nem está vivo. Tenho certeza que Lilia conseguirá superar o desafio de não ter um ator à sua altura, em cena. Para quem é especialista em monólogos... Será um prato cheio. Vamos conferir!



Postado por: Thati Cristina Bissoli Gaspar | 30/10/2009 | (74) Comentários

As Helenas, de Manoel Carlos: um sonho ou um pesadelo?

23 Out 2009 15:09

Foto: Divulgação


Várias atrizes - entre elas Natália do Vale, Lilia Cabral e Giovanna Antonelli - e até a cantora Cláudia Leitte já afirmaram que interpretar uma Helena de Manoel Carlos é um grande sonho. Mas para algumas estrelas que passaram por essa experiência o sonho virou um pesadelo. É o que está se passando agora com Taís Araújo. A atriz vem sofrendo agressões tão absurdas que me fazem pensar se o problema em relação a ela é realmente sua atuação ou se é preconceito mesmo. O que tenho lido em relação a ela são ofensas pessoais descabidas. Uma coisa é o público criticar a atuação de um ator. Faz parte do show e quem entra na chuva é para se molhar. Mas criar comunidade para desejar a morte da personagem? Além de ridículo, não faz sentido, já que Helena é uma pessoa 100% do bem, talvez um pouco arrogante, mas honesta, amiga, generosa... E passam a desejar a morte de alguém assim? É realmente a inversão de todos os valores. Outro dia a jornalista Sônia Abraão elogiou o desempenho de Taís, mas reclamou que Helena é muito chata. Não acho que ela seja chata. Mimada e insuportável é Luciana, lindamente interpretada por Alinne Moraes. E até Tereza (show de interpretação de Lilia Cabral), que jogou todas as suas amarguras e frustrações em cima da nova mulher de seu ex-marido, Marcos (José Mayer). Mas historicamente as Helenas sempre viveram na corda bamba das novelas. Digo isso porque dentro da obra de Manoel Carlos, as mitológicas Helenas nem de longe foram as personagens mais interessantes de suas tramas. Da mesma forma que aconteceu nas histórias anteriores de Maneco, as personagens secundárias, como Luciana (Alinne Moraes), Tereza (Lilia Cabral) e Renata (Bárbara Paz), são bem mais sedutoras do que a protagonista. E isso não é culpa da Taís, já que as outras atrizes que interpretaram Helenas também foram eclipsadas por suas ''rivais''. Vamos analisar caso a caso...


Sem Autor


LILIAN LEMMERTZ, HELENA EM BAILA COMIGO (1981)
É a melhor Helena de todas. E nem era a protagonista de Baila Comigo. Tony Ramos e Reginaldo Faria tinham os papéis centrais, e as principais personagens femininas eram divididas entre ela, Betty Faria, Natália do Vale e Lídia Brondi. Mas Helena era de longe a melhor. Quase uma vilã. Mãe de filhos gêmeos, permitiu que os dois fossem criados separados: Quinzinho (Tony Ramos) ficou com ela no Brasil e João Victor (Tony Ramos) com o pai, Quim (Raul Cortez), em Portugal. Para aliviar esse comportamento nada elogiável de Helena, ela era retratada como uma mulher batalhadora e sofrida. E ganhou uma interpretação magistral de Lilian, cheia de nuances e altamente explosiva. Mas mesmo assim o público não perdoou facilmente uma mãe que foi capaz de separar irmãos gêmeos. Foi preciso que ela derramasse muitas lágrimas para que os espectadores se comovessem com ela e a acolhessem em seus braços. No final, deu tudo certo.


Divulgação


MAITÊ PROENÇA, HELENA EM FELICIDADE (1991)
Manoel Carlos voltava à Globo oito anos depois do sucesso de Sol de Verão (1982). E dez anos separam a Helena de Lilian Lemmertz da personagem escrita para Maitê Proença. Mais uma vez a personagem está envolvida com mentiras envolvendo crianças. Helena se apaixonava por Álvaro (Tony Ramos), que estava de casamento marcado com Débora (Vivianne Pasmanter), e acabava engravidando dele. Helena se cala, casa com Mário (Herson Capri) e o reencontro com Álvaro acontece oito anos depois. Mas ela já mentiu tanto que se tornava fácil para Débora atrapalhar uma reconciliação de seu marido com o grande amor da vida dele. Maitê estava no auge da beleza, mas um furacão chamado Vivianne Pasmanter – estreando em novelas – roubou todas as cenas e acabou virando o grande destaque da novela.


Helio Motta


REGINA DUARTE, HELENA EM HISTÓRIA DE AMOR (1995)
Regina estreava no horário das 6, mas com uma personagem digna de novela das 9. Helena era ética, centrada e sofria com a gravidez precoce da filha, Joyce (Carla Marins), e a paixão tumultuada pelo médico Carlos (José Mayer). Tudo estaria muito bem se o doutor não fosse noivo de Paula (Carolina Ferraz) e sofresse o assédio da ex, Sheyla (Lilia Cabral). Por mais elaborada que a personagem principal fosse, Helena foi estraçalhada por Paula e Sheyla, donas de personalidades muito mais fortes. Começava aqui a saga de Lilia Cabral como ladra oficial de cenas das novelas de Manoel Carlos. Os embates entre ela e Carolina eram incendiários. É claro que Helena ganhou o mocinho no final, mas de forma pra lá de apagada. O brilho mesmo foi das neuróticas ex-mulheres do sujeito.


Roberto Valverde


REGINA DUARTE, HELENA EM POR AMOR (1997)
A segunda melhor Helena do autor. Em nome do amor, ela foi capaz de trocar seu filho saudável pelo neto morto. Helena e a filha, Maria Eduarda (Gabriela Duarte), acabaram dando à luz no mesmo dia e horário. Mas o bebê de Eduarda morre logo após o parto e ela ficou impossibilitada de engravidar novamente. Para aliviar a dor da filha, Helena trocou as crianças, sem se importar com o sofrimento que isso causou ao marido, Atílio (Antonio Fagundes). Tudo seria perfeito para Regina. Uma grande personagem, uma história arrebatadora. Mas ela não contava que Susana Vieira, como a altiva e ferina Branca Letícia, fosse tomar conta da novela e atrair todas as atenções. Para piorar, Vivianne Pasmanter, mais uma vez, arrebatou corações como a implacável Laura, e o casal Milena (Carolina Ferraz) & Nando (Eduardo Moscovis) virou o principal par romântico da história. Para piorar, o público se irritava com Helena, a quem considerava chata e chorona. Uma óbvia injustiça com a interpretação maravilhosa de Regina. Mas, não, se nem Jesus Cristo conseguiu a unanimidade...


Maria Bittencourt


VERA FISCHER, HELENA EM LAÇOS DE FAMÍLIA (2000)
O último grande papel de Vera Fischer. Uma Helena novamente loura, linda, mas totalmente dedicada à filha, Camila (Carolina Dieckmann). A tal ponto que abriu mão de seu romance com o gatíssimo Edu (Reynaldo Gianecchini) para a mimada Camila, que também se apaixonou pelo médico. Apesar da boa interpretação de Vera, o drama de Camila – que teve leucemia – atraiu todos os holofotes. Para piorar, uma Deborah Secco, endiabrada como a ninfeta-malvada-debochada Íris, virou a grande atração da novela. E como um auxílio luxuoso, lá estava ela: Lilia Cabral. Seu papel era mínimo (Ingrid, mãe de Íris) e ela morria assassinada logo no início da trama. Mas, mesmo assim, conseguiu roubar cenas. Todo mundo elege o momento em que Camila precisou rapar a cabeça como o mais emocionante da história. Mas para mim foi a cena de despedida de Alécio (Fernando Torres) e Ingrid, com ela lembrando, ao lado do marido agonizante, passagens da vida que tiveram, que mais me comoveu. Lindo, tocante, maravilhosamente bem interpretado e dirigido. Uma apoteose para Lilia e um balde de água fria na cabeça da bondosa Helena.


Divulgação


CHRISTIANE TORLONI, HELENA EM MULHERES APAIXONADAS (2003)
Peguei implicância com a Helena, de Chistiane Torloni, logo nos primeiros capítulos. Altiva demais. Arrogante além da conta. Ela era antipática e ainda tratava todo mundo com um irritante ''meu bem'', que me tirava do sério. Para piorar, seu romance com César (José Mayer) não convencia, muito menos o casamento com Téo (Tony Ramos). Para completar, ela traía o marido, fato que não foi bem aceito pelo público. Com uma personagem tão irregular, foi fácil para Giulia Gam explodir como a ciumenta Heloísa, a verdadeira mulher apaixonada da novela. O drama da professora Raquel (Helena Ranaldi), que amava seu aluno adolescente, Fred (Pedro Furtado), e era vítima das raquetadas do marido sociopata (Dan Stulbach), também agradou muito. E Natália do Vale arrasou como Silvia, dona de casa fogosa, que virou amante do taxista gostosão, Caetano (Paulo Coronato). Ou seja, sobrou muito pouco para Helena fazer.


Willian Andrade


REGINA DUARTE, HELENA EM PÁGINAS DA VIDA (2006)
Certamente a pior de todas as Helenas. Perto dela, a vivida por Christiane Torloni era tudo no mundo. As caras estranhíssimas que Regina fazia também não ajudavam em nada a fazer o público torcer por ela. E Lilia Cabral voltou a roubar a novela para ela na pele da amargurada e interesseira Marta. Não teve para mais ninguém. E olha que o elenco reunia ainda as divas da tela Ana Paula Arósio, Glória Menezes, Sonia Braga, Natália do Vale, Danielle Winits, Renata Sorrah, Vivianne Pasmanter, Letícia Sabatella, Deborah Evelyn, Grazi Massafera, Helena Ranaldi, Christine Fernandes, Regina Alves, Fernanda Vasconcello, Leandra Leal e Louise Cardoso. Todas muito bem em suas personagens, mas nada que se possa comparar ao tour de força de Lilia. Se duvidar, muita gente nem lembra que Regina Duarte estava em Páginas da Vida...


TV Globo - Renato Rocha Miranda


TAÍS ARAÚJO, HELENA EM VIVER A VIDA (2009)
Já ouvi queixas do tipo: Helena é arrogante, é metida a ser madura demais. Ela é antipática e Taís não está nada natural. Até concordo que a atriz está formal demais em algumas cenas. Mas conhecendo Taís Araújo como pessoa e tendo acompanhado sua trajetória desde Tocaia Grande (1995), afirmo sem medo: o problema ali é da direção. Não sei o que se passa no reino de Jayme Monjardim, porque identifico esse comportamento formal também em Ellen (Danielle Suzuki), Ariane (Christine Fernandes) e até no Marcos (José Mayer), entre outros. Sem falar que tudo é muito teatral. Um simples café da manhã em família ou um encontro entre amigos é tratado de maneira tão impessoal e grandiosa... Parece que os personagens estão discursando e não conversando. Mas assisti a cenas lindíssimas de Helena com a irmã, Sandrinha (Aparecida Petrowky), em que Taís deu um show de interpretação. Engessada pela direção, ela tem poucas chances de enfrentar um monstro chamado Lilia Cabral, que tem nas mãos uma personagem muito melhor que Helena. Tereza é amargurada, rancorosa, mas tem um desejo louco de dar a volta por cima. Fica até desigual. E, para piorar, Tereza ainda consegue vencer as discussões com Helena, mesmo estando completamente errada em suas acusações. Tenho uma teoria de que Viver a Vida ainda não começou. Manoel Carlos está fazendo um longuíssimo prólogo e apresentando seus personagens. E que a trama realmente se desenvolverá no ritmo correto depois do acidente que deixará Luciana tetraplégica. Tenho certeza que a partir daí Taís Araújo vai poder mostrar do que é capaz. Sua Helena será corroída pela culpa, vai ser apontada como a responsável pelo drama de Lu e ainda descobrirá que foi traída pelo marido e que outra mulher espera um filho dele. Sem contar que terá de sustentar o marido falido e se apaixonará por Bruno (Thiago Lacerda), o filho bastardo de Marcos... Depois de enfrentar tantos dramas, quero ver quem ainda terá coragem de atirar pedras na personagem. E em Taís. Elas definitivamente não merecem!



Postado por: Marcelo da Silva Novita Junior | 23/10/2009 | (227) Comentários

Cama de Gato: a trama é impecável, mas tem problemas sérios no elenco

16 Out 2009 11:51

Foto: Montagem


Nunca duvidei do talento das autoras Duca Rachid e Thelma Guedes. Muito pelo contrário. As duas já haviam mostrado com a adaptação de O Profeta (2006) que são escritoras hábeis e criativas. Mas o que elas vêm fazendo em Cama de Gato é muito mais do que isso. Thelma e Duca - que contam com a supervisão de João Emanuel Carneiro - buscaram nas raízes do folhetim a matéria-prima de sua novela. Porém, com muita inteligência e charme, modernizaram o gênero com altas doses de ação e suspense. O resultado é uma trama envolvente, que prende a atenção e deixa uma vontade danada de continuar acompanhando no dia seguinte. E isso se reflete na excelente audiência que a novela vem conquistando dia a dia.

O que é uma surpresa. Esperava que os seguidores de Paraíso, uma produção mais contemplativa e sem muita movimentação, tivessem uma certa dificuldade para embarcar numa história mais agitada. Que nada! Quando o produto é bom, o povão sabe reconhecer e valorizar.

A direção dinâmica de Ricardo Waddington e equipe também mantém o pique da trama lá em cima, não dando trégua ao espectador. Quem se distrair por um momento corre o risco de perder um lance bacana. Para completar, os primeiros capítulos ainda tiveram o auxílio luxuoso da paisagem deslumbrante dos Lençóis Maranhenses. Tudo muito lindo!

Já em relação ao elenco, muitos acertos e alguns equívocos. Camila Pitanga, Paola Oliveira, Carmo Dalla Vecchia, Daniel Boaventura, Pedro Paulo Rangel, Suely Franco, Emanuelle Araújo e Yoná Magalhães brilham intensamente, defendendo seus personagens com garra. E que prazer rever as veteranas Berta Loran e Ilva Niño em cena. Elas estavam fazendo falta. Gosto também dos jovens atores que interpretam os filhos de Camila Pitanga: Land Vieira, Raquel Fuína, Gustavo Maya e Julyana Garcia. Todos encantadores.




Isabela Garcia, Ângelo Antônio, Luiz Gustavo e Rosi Campos estão corretos, diferente dos exagerados Ailton Graça, Dudu Azevedo e Letícia Birkheuer, totalmente fora do tom. É irritante ainda aturar Heloísa Perissé com seus maneirismos de sempre. Nunca vou saber se ela é uma atriz de verdade, já que faz sempre o mesmo papel. Por mais engraçada que Heloísa seja, vê-la todo dia, fazendo tudo sempre igual, cansa. Sem falar que sua voz é chata demais!

Porém, o pior mesmo é ver um papel tão complexo, como Gustavo Brandão, nas mãos de um ator limitado como Marcos Palmeira. O perfumista era a chance de Marcos mostrar que é mais do que um galã, mas ele não está convencendo. Não consegue transmitir emoção em qualquer situação. Tanto faz se a cena é de alegria ou de tristeza. Suas expressões e tom de voz são sempre as mesmas. E, como acontece com Heloísa Perissé, Palmeira também deveria procurar um fonoaudiólogo. O tom anasalado de sua voz piora a cada dia...

Mas, tirando esses pequenos equívocos no elenco, Cama de Gato empolga, diverte, emociona... Ou seja: reúne e transmite toda a sorte de sensações que uma boa novela precisa ter. Já ouvi, inclusive, algumas pessoas dizendo que Cama de Gato está no horário errado e que ela tem estofo para arrebentar no horário nobre. Concordo plenamente! Uma salva de palmas para Duca, Thelma, João Emanuel e Ricardo!



Postado por: Marcelo da Silva Novita Junior | 16/10/2009 | (62) Comentários

Poder Paralelo: ainda dá tempo para colocar a novela no trilho

09 Out 2009 10:59


Existem duas maneiras de você analisar Poder Paralelo:

1) É uma novela muito sofisticada, com um ritmo particular, em que as tramas se desenvolvem de forma meio desordenada. Nada é o que parece ser na história de Lauro César Muniz...
2) O autor perdeu o fio da meada de sua novela, que começou muito bem, mas agora virou o samba do mafioso doido!

Independente de em qual situação você se encaixe, as duas convergem para um ponto: alguma coisa desandou no reino da máfia. Ainda estou em busca de uma explicação que me satisfaça. É muito triste você se entregar de corpo e alma a uma produção e sentir que aquilo não te pertence mais. Posso soar um pouco melodramático, mas é assim que estou me sentindo: traído. Veja bem, não é que Poder Paralelo seja uma novela ruim. Está longe dessa classificação. Mas era uma trama em que eu apostava todas as fichas para ser a melhor do ano. E isso não aconteceu.
A sinopse falava de um homem poderoso, destruído pelo assassinato da mulher e das filhas e que havia destinado sua vida a acabar com a pessoa que lhe tirou o que ele tinha de mais precioso. Caramba! Isso é de uma dramaticidade ímpar. Quase uma ópera... Para completar, a produção era de primeira, o elenco escolhido a dedo, o texto excelente e as subtramas prometiam muito também.

Durante bastante tempo não perdia um capítulo. Devorava cada cena. Mas confesso que fui perdendo o interesse de ficar na frente da TV vendo a novela tornou-se uma obrigação profissional. E isso é complicado para alguém que ama novela.

Os problemas com Poder Paralelo vêm de várias frentes. A pior: a vingança de Tony (Gabriel Braga Nunes) até agora não disse a que veio. Ele é um inimigo sem forças para enfrentar Bruno/Guri (Marcelo Serrado). Se existe algo que me irrita profundamente é aquele tipo de vilão que pratica maldade o tempo inteiro, sem sofrer qualquer revés antes do castigo final. Bandido bom é aquele que apronta todas, mas leva na cara, ganha pernada e fica nessa montanha russa até as emoções decisivas. Porém nada acontece a Bruno. Para complicar, o personagem necessita de um ator com forte carisma, grande masculinidade e que exale uma aura de poder. E Marcelo Serrado não possui qualquer dessas características. Tem uma aparência frágil e sem impacto. Talvez Tuca Andrada fosse uma escolha mais acertada para interpretar o grande vilão da história.

Por outro lado, a vida romântica de Tony também não tem rumo. Sinceramente não vejo um amor sincero dele por Fernanda (Paloma Duarte). O que existe entre eles é mais sexual do que amoroso. Tudo bem, eu adoro sexo, mas o principal casal romântico de uma novela precisa transbordar amor para a gente torcer por ele. Prefiro Tony com Lígia (Miriam Freeland), só que também os personagens hesitaram demais para se acertarem e tudo ficou em cima do muro, sem definição...
Com isso Maura (Adriana Garambone) e Rafael (Floriano Peixoto) se transformaram no casal mais interessante da trama. Tudo funcionou bem com eles: desde o envolvimento inicial, recheado de medos e culpas, até a explosão da paixão. Uma história de amor tratada com muita delicadeza e inteligência. Adriana, aliás, rouba todas as cenas, desde o primeiro capítulo. Acho mesmo que ela roubou a novela para ela...
Estou gostando da fase ainda mais destrutiva do Rudy. Petrônio Gontijo está intenso, na medida certa. Apenas um tom acima e o personagem se tornaria uma caricatura, mas o ator tem conseguido dosar esse limite tênue com muito talento. Talvez fosse até melhor que Rudy se acertasse com Fernanda. Paloma tem uma química mais forte com Petrônio do que com Marcelo Serrado ou Gabriel Braga Nunes.

Apesar dos contratempos que enfrenta com seu personagem, ainda acho Gabriel um ator interessantíssimo. Ele tem uma presença cênica muito forte, é bonitão e possui uma rara capacidade de fazer com que todas as atenções se voltem para ele, mesmo quando não é o foco principal da cena. Pena que seu personagem tenha se perdido. Mas ainda não é tarde demais para reverter esse quadro. Eu confio no poder do veterano Lauro César Muniz para acertar as arestas de sua novela.



Postado por: Thati Cristina Bissoli Gaspar | 09/10/2009 | (216) Comentários

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