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Poder Paralelo não precisava de um misterioso assassino em série

23 Nov 2009 14:45


Em 1967, a novela Anastácia, a Mulher Sem Destino enfrentava uma séria crise. A audiência caía vertiginosamente, e o autor iniciante, Emiliano Queiroz (que depois virou um ator de sucesso), não conseguia reverter o problema. Pelo contrário! Começou a se perder na história, criando novos personagens e deixando a trama cada vez mais inconsistente. Glória Magadan – na época supervisora de teledramaturgia da Globo – convocou um jovem talento das radionovelas para tentar resolver o problema. Janete Clair substituiu Emiliano por volta do capítulo 40, mas tudo estava tão confuso que a escritora tomou uma decisão radical: inventou um terremoto que matou quase todos os personagens, fazendo com que a novela recomeçasse do zero. Um salto de 20 anos manteve apenas quatro personagens originais, Henry de Monfort (Henrique Martins), Piérre (Ênio Santos) e Gaby (Mirian Pires) e Anastácia (Leila Diniz, que passou a interpretar também a filha de Anastácia). Esse recurso ficou famoso e passou a ser usado (de forma mais discreta) por outros novelistas, sempre que suas tramas passavam por problemas. Foi assim com Torre de Babel (1998), de Silvio de Abreu. A explosão do shopping estava prevista na sinopse, mas acabou servindo ao autor para tirar da história diversos personagens rejeitados pelo público.
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Essa longa introdução é para passar para você mais claramente como estou analisando essa onda de assassinatos em Poder Paralelo. Tudo bem que o tradicional “Quem matou?” é outro recurso bastante eficiente para alavancar a audiência e atrair o interesse do espectador. Acredito, então, que é isso que Marcílio Moraes está fazendo. Bolou um inusitado serial killer e, com isso, está se livrando de uma série de personagens que estavam sem função. É a única explicação para a morte de Marília (Maria Ribeiro), que acontecerá em breve. Infelizmente, a jornalista está há tempos sem ter o que fazer na novela. No início ela tinha relevância na vingança de Tony (Gabriel Braga Nunes), e o par romântico com Téo (Tuca Andrada) parecia que ia bombar, só que, do nada, a personagem murchou. Perdeu vida e função. Agora como uma vítima do matador misterioso passa a ter mais importância. O mesmo aconteceu com Juraci (D’Artagnan Jr.), Mamma Freda (Lu Grimaldi), André (André Bankoff ) e Wagner (Lúcio Fernandes), todos sem expressão. Logo será a vez de Santana (Paulo Gorgulho), que assumirá todos os crimes, mas também será eliminado com um tiro na testa. E dizem que até Rudi (Petrônio Gontijo) pode ser morto. Os outros realmente não fediam nem cheiravam na trama, mas Rudi! Poxa, o irmão problemático de Tony cresce a cada dia... Espero que seja apenas boato.

De qualquer maneira não acho que Poder Paralelo precisasse de um assassino em série. A busca por vingança do protagonista por si só já é interessante e envolvente. Temo que essas mortes desviem a atenção do que mais importa aos fãs da novela: ver Tony dar o troco em quem matou sua mulher e suas filhas. É lamentável que as emissoras privilegiem tanto o ibope e obriguem os autores a recorrerem a saídas fáceis. Poder Paralelo não precisava disso. É inteligente e dinâmica o suficiente, e sua audiência (mesmo que nem tão grandiosa quanto a das produções da Globo) reúne um público fiel, participativo e exigente. Resumo da ópera: muitas vezes o menos é mais. E, na maioria das vezes, quantidade prejudica a qualidade.

Ainda bem que Marcílio é um escritor esperto e experiente. E tem gabarito para evitar que sua novela transforme-se numa catástrofe. Tenho certeza de que ele conseguirá unir todas essas mortes absolutamente sem sentido numa rede de coerência e surpresa. Pelo menos torço fervorosamente por isso.



Postado por: Thati Cristina Bissoli Gaspar | 23/11/2009 | (13) Comentários

É dos machistas que elas gostam mais!

13 Nov 2009 14:09

Foto: Divulgação


Nos próximos capítulos de Caras & Bocas, Gabriel (Malvino Salvador) vai expulsar Dafne (Flávia Alessandra) de casa. Ela engravida, mas o pintor, julgando-se estéril, acha que o filho é de outro e humilha a esposa até não poder mais. Em nenhum momento Gabriel dá o benefício da dúvida a Dafne. Não pensa em refazer seu exame, nem um teste de DNA. Ele é machão demais para se submeter a isso. E é mais fácil arrasar a mulher, que jura ter sido fiel e que ele é o pai da criança. Gabriel é um machista de carteirinha. Como vários outros que estão no ar atualmente. E o pior: são disputadíssimos, todas morrem de amores por eles, e os sujeitos tratam suas companheiras como meros objetos. O que me faz concluir que: é dos machistas que elas gostam mais.









Duvida? Dê uma olhadinha em Viver a Vida. É na trama de Manoel Carlos que estão os caras mais machistas da telinha. Marcos (José Mayer) é o pole position. Durante 30 anos esmigalhou a autoestima de Tereza (Lilia Cabral) e tenta fazer o mesmo com Helena (Taís Araújo). Não quer que a nova esposa trabalhe, acha que mulher tem que ficar em casa cuidando do marido e usou Dora (Giovanna Antonelli) como um objeto sexual. O resultado? Mesmo sabendo que o coroa é casado, safado e que nunca mais a procurou, Dora vive suspirando por ele pelos cantos. Tereza abandonou sua carreira, tem mais chifres na cabeça do que os veados e, mesmo assim, não esconde que é louca pelo ex-marido. Só Helena o enfrentou, mas acabou sendo traída.

No mesmo núcleo, Gustavo (Marcelo Airoldi) é outro que, em casa, adora botar banca de moralista. Não quer que a mulher, Betina (Letícia Spiller), use roupa curta e decotada e tenta controlar o namoro da filha, Clarice (Cecília Dassi). Mesmo assim, nas barbas da mulher ele paquera a empregada Ida (Thaíssa Carvalho). Sem falar na perseguição à Malu (Camila Morgado) e nas gatas que pegou em Búzios, se achando o rei da cocada preta.

Jorge (Mateus Solano) é um mini-mi de Marcos. Também tenta domar Luciana (Alinne Moraes), mas como a modelo tem um gênio do cão, ele prefere ser mais ardiloso: finge concordar em ceder um pouco, mas tenta convencê-la a fazer tudo o que ele quer sem que a moça perceba. Pode reparar que todos os três estão cheios de moçoilas babando por eles...









Em Cama de Gato, Gustavo (Marcos Palmeira) é o machista, que, mesmo por baixo, insiste em querer mandar na fêmea que conquistou. Mesmo sendo casado com Verônica (Paola Oliveira) não admite que ninguém toque em Rose (Camila Pitanga) e vira e mexe sente-se mal por depender tanto de sua ex-faxineira. Ainda que sob uma aura de herói injustiçado, Gustavo também não passa de um machão inconformado.









Já em Poder Paralelo revelam-se dois tipos de machista: o vingador Tony (Gabriel Braga Nunes) e o aproveitador Bruno (Marcelo Serrado). O primeiro está usando Fernanda (Paloma Duarte) para cumprir sua vendetta. Tudo bem que na máfia é comum que os homens dominem completamente as mulheres, mas isso não justifica as atitudes de Tony. O problema é que Bruno é ainda pior. Ele é a versão mais jovem do Marcos, de Viver a Vida. Traiu Maura (Adriana Garambone) a vida toda, inclusive com a irmã dela (Bete Coelho), e acha que as mulheres existem apenas para o servirem. Além de tudo é um vilão, o que complica a classificação do personagem nessa relação. Machista do bem até vai. Agora, machista malvadão... Nem em Sucupira!



Postado por: Marcelo da Silva Novita Junior | 13/11/2009 | (50) Comentários

Paralisia de Luciana: um drama com 'D' maiúsculo

06 Nov 2009 14:59

Foto: Globo/ Divulgação


Prometi a mim mesmo que esta semana fugiria de Viver a Vida. Mas não consegui. Parece que tem um ímã que me liga à trama de Manoel Carlos. Mas isso é uma característica da obra do autor. Você pode até não gostar das novelas dele, mas é quase impossível não se envolver em debates sobre as criações do autor. Maneco é mestre nisso: colocar suas histórias na boca do povo. E é o que vai acontecer com ainda mais força depois da paralisia de Luciana (Alinne Moraes).

As cenas do acidente foram muito bem feitas. Senti-me dentro daquele ônibus, rolando pela ribanceira e jogando os corpos das modelos para todo lado. As sequências seguintes também foram de arrepiar. Luciana imobilizada na maca, e Helena (Taís Araújo) desesperada com o destino da enteada. Ao mesmo tempo, a angústia de Tereza (Lilia Cabral) em casa, sem imaginar que estava tendo uma premonição do drama que mudará a vida da sua filha para sempre, também deu um nó na garganta. Taís e Lilia arrasaram e dava vontade de segurar suas mãos para dar algum conforto. Acho a direção da novela um tanto quanto exagerada, mas nessas cenas tudo foi dosado na medida certa: os efeitos especiais, a emoção dos atores e as marcações do elenco, tudo estava no ponto.

Nesse primeiro momento a raiva do público pela Helena (Taís Araújo) só vai aumentar. Assim como Luciana, Tereza e cia., boa parte dos espectadores vai culpar Helena por Lu ter ficado tetraplégica. A partir de agora é a chance de Alinne Moraes mostrar todo seu talento de intérprete. Diferente de muita gente, detestei sua atuação como a Silvia, de Duas Caras (2007). Ela fazia caras e bocas demais, gritava além da conta e seus lábios pareciam tão grande que até assustava. Mas eu já havia tirado o chapéu para a moça, por causa de seu desempenho em Viver a Vida, mas agora é a verdadeira prova de fogo para a atriz. A transição de menina mimada e voluntariosa para mulher sofrida, guerreira e determinada vai exigir demais de Alinne. Qualquer deslize em sua atuação ou na direção de Jayme Monjardim pode botar a perder um trabalho brilhante. Como a trama já é sofrida além da conta, Alinne terá de se manter no fio da navalha, caso contrário corre o risco de deixar tudo caricatural demais. E não há nada pior numa novela do que uma caricatura, um personagem exagerado...

Estou muito curioso também para ver como Mateus Solano irá lidar com as reações de Jorge e Miguel frente ao sofrimento de Lu. Aconselho a quem está acompanhando a novela diariamente e até mesmo àqueles que só assistem a Viver a Vida de vez em quando para falar mal que compre algumas caixinhas de lenços de papel. Você vai precisar ter um coração de pedra para não se envolver com tanto drama. Eu já comprei as minhas...



Postado por: Elisa Duarte | 06/11/2009 | (235) Comentários

Existe salvação para a amarga Tereza?

30 Out 2009 14:12

Foto: TV Globo/Zé Paulo Cardeal || TV Globo/Rafael França


Participei esta semana de uma discussão sobre Viver a Vida que eu quero compartilhar com você. Estava reclamando que não teria paciência para aturar a amargura de Tereza (Lilia Cabral). Se fosse amigo ou parente dela, certamente já teria dado um tempo nas lamentações da dondoca. E olha que eu sou conhecido por ser um bom ouvinte para as mazelas alheias. Gosto de ajudar e dar apoio a quem precisa. Mas tem limite! Entendo perfeitamente que Tereza esteja sofrendo com o fim de seu casamento de 30 anos. É normal, você perde a referência e fica sem rumo. Mas me irrita ver a desocupada despejar todas as suas frustrações em cima de Helena (Taís Araújo). “Não acredito que Marcos (José Mayer) me trocou por aquelazinha”, reclamou ela para Ingrid (Natália do Vale) e Betina (Letíca Sabatella). A questão é que a ex-modelo não foi trocada por ninguém. Ela decidiu encerrar um casamento fracassado, mas não quer que o ex-marido seja feliz. Acho isso egoísta, baixo e indesculpável. Não sei se você reparou, mas Tereza está sempre acabando com a alegria de alguém. O grupo pode estar rindo, se divertindo, curtindo a vida, que ela se aproxima, vomita suas queixas e deixa todos no maior baixo astral. É claro que a irritação que a personagem me provoca é resultado do trabalho magnífico da deusa Lilia Cabral.


Lilia é o tipo de atriz que não desperdiça nenhuma vírgula do texto que está interpretando. E dá veracidade a qualquer tipo de papel que cai em suas mãos. Com ela não tem isso de ser protagonista ou coadjuvante. Lilia é sempre o centro das atenções. Agora, em Viver a Vida, então, ela está se esbaldando. Atropela todos os colegas de cena como um trator. Não sobra espaço para ninguém. E olha que Alinne Moraes, Mateus Solano, Natália do Vale, Adriana Birolli e Letícia Spiller estão muito bem também.


Reprodução 


Só que, apesar de me deliciar com a atuação maravilhosa de Lilia Cabral, tem horas que Tereza me tira do sério. Mas aí ouvi uma resposta que me derrubou: “Jorge, mulher é assim. Diz sim, querendo dizer não, e vice-versa... Rompe um casamento em que não foi feliz, mas quer que o marido implore para reatar. E não suporta o novo amor do seu ex-amor em hipótese nenhuma. Vai achar sempre que foi trocada”. Are baba! Faz sentido. Rita Lee já cantou que “mulher é bicho esquisito, todo mês sangra. Um sexto sentido maior que a razão...” Acabei descobrindo que conheci algumas Terezas. Uma amiga botou o marido para fora de casa, jogou tudo dele pela janela e passou um ano sozinha. Sem arrumar nem uma paquerinha. E quase infartou quando descobriu que ele iria morar com outra garota, que havia surgido na vida dele meses depois da separação. A “titular” quase morreu de tristeza, só chamava a “rival” de piranha e fez até mandinga para que a novo casamento do cara fracassasse. Até hoje, apesar de ela ter arrumado outro namorado, ainda se refere ao marido como o filho da p..., que a trocou por aquela baranga. Detalhe: a moça é linda. Parece Letícia Sabatella. Espero que minha amiga não leia isso (risos)...


Reprodução 


Percebi que existem mesmo várias Terezas perdidas por aí. Espero não cruzar com nenhuma delas tão cedo, porque gosto de pessoas que superam as adversidades e encaram a vida de frente. Mas quero muito que a socialite da trama de Manoel Carlos arrume logo um novo amor. E possa entender como Marcos e Helena se sentem. De repente um cara legal pode transformar Tereza numa pessoa melhor. Até onde eu sei ela irá se envolver com um garotão. O problema é que o tal rapagão é interpretado por Rodrigo Hilbert, ator que se saiu tão bem como o bandido Ronildo, de Duas Caras (2007), mas não conseguiu mais acertar no tom de seus personagens. Rodrigo está dentro da classificação dos atores estilo Cigano Igor (papel de Ricardo Macchi em Explode Coração): ele é tão inexpressivo que, muitas vezes, parece que ele nem está vivo. Tenho certeza que Lilia conseguirá superar o desafio de não ter um ator à sua altura, em cena. Para quem é especialista em monólogos... Será um prato cheio. Vamos conferir!



Postado por: Thati Cristina Bissoli Gaspar | 30/10/2009 | (80) Comentários

As Helenas, de Manoel Carlos: um sonho ou um pesadelo?

23 Out 2009 15:09

Foto: Divulgação


Várias atrizes - entre elas Natália do Vale, Lilia Cabral e Giovanna Antonelli - e até a cantora Cláudia Leitte já afirmaram que interpretar uma Helena de Manoel Carlos é um grande sonho. Mas para algumas estrelas que passaram por essa experiência o sonho virou um pesadelo. É o que está se passando agora com Taís Araújo. A atriz vem sofrendo agressões tão absurdas que me fazem pensar se o problema em relação a ela é realmente sua atuação ou se é preconceito mesmo. O que tenho lido em relação a ela são ofensas pessoais descabidas. Uma coisa é o público criticar a atuação de um ator. Faz parte do show e quem entra na chuva é para se molhar. Mas criar comunidade para desejar a morte da personagem? Além de ridículo, não faz sentido, já que Helena é uma pessoa 100% do bem, talvez um pouco arrogante, mas honesta, amiga, generosa... E passam a desejar a morte de alguém assim? É realmente a inversão de todos os valores. Outro dia a jornalista Sônia Abraão elogiou o desempenho de Taís, mas reclamou que Helena é muito chata. Não acho que ela seja chata. Mimada e insuportável é Luciana, lindamente interpretada por Alinne Moraes. E até Tereza (show de interpretação de Lilia Cabral), que jogou todas as suas amarguras e frustrações em cima da nova mulher de seu ex-marido, Marcos (José Mayer). Mas historicamente as Helenas sempre viveram na corda bamba das novelas. Digo isso porque dentro da obra de Manoel Carlos, as mitológicas Helenas nem de longe foram as personagens mais interessantes de suas tramas. Da mesma forma que aconteceu nas histórias anteriores de Maneco, as personagens secundárias, como Luciana (Alinne Moraes), Tereza (Lilia Cabral) e Renata (Bárbara Paz), são bem mais sedutoras do que a protagonista. E isso não é culpa da Taís, já que as outras atrizes que interpretaram Helenas também foram eclipsadas por suas ''rivais''. Vamos analisar caso a caso...


Sem Autor


LILIAN LEMMERTZ, HELENA EM BAILA COMIGO (1981)
É a melhor Helena de todas. E nem era a protagonista de Baila Comigo. Tony Ramos e Reginaldo Faria tinham os papéis centrais, e as principais personagens femininas eram divididas entre ela, Betty Faria, Natália do Vale e Lídia Brondi. Mas Helena era de longe a melhor. Quase uma vilã. Mãe de filhos gêmeos, permitiu que os dois fossem criados separados: Quinzinho (Tony Ramos) ficou com ela no Brasil e João Victor (Tony Ramos) com o pai, Quim (Raul Cortez), em Portugal. Para aliviar esse comportamento nada elogiável de Helena, ela era retratada como uma mulher batalhadora e sofrida. E ganhou uma interpretação magistral de Lilian, cheia de nuances e altamente explosiva. Mas mesmo assim o público não perdoou facilmente uma mãe que foi capaz de separar irmãos gêmeos. Foi preciso que ela derramasse muitas lágrimas para que os espectadores se comovessem com ela e a acolhessem em seus braços. No final, deu tudo certo.


Divulgação


MAITÊ PROENÇA, HELENA EM FELICIDADE (1991)
Manoel Carlos voltava à Globo oito anos depois do sucesso de Sol de Verão (1982). E dez anos separam a Helena de Lilian Lemmertz da personagem escrita para Maitê Proença. Mais uma vez a personagem está envolvida com mentiras envolvendo crianças. Helena se apaixonava por Álvaro (Tony Ramos), que estava de casamento marcado com Débora (Vivianne Pasmanter), e acabava engravidando dele. Helena se cala, casa com Mário (Herson Capri) e o reencontro com Álvaro acontece oito anos depois. Mas ela já mentiu tanto que se tornava fácil para Débora atrapalhar uma reconciliação de seu marido com o grande amor da vida dele. Maitê estava no auge da beleza, mas um furacão chamado Vivianne Pasmanter – estreando em novelas – roubou todas as cenas e acabou virando o grande destaque da novela.


Helio Motta


REGINA DUARTE, HELENA EM HISTÓRIA DE AMOR (1995)
Regina estreava no horário das 6, mas com uma personagem digna de novela das 9. Helena era ética, centrada e sofria com a gravidez precoce da filha, Joyce (Carla Marins), e a paixão tumultuada pelo médico Carlos (José Mayer). Tudo estaria muito bem se o doutor não fosse noivo de Paula (Carolina Ferraz) e sofresse o assédio da ex, Sheyla (Lilia Cabral). Por mais elaborada que a personagem principal fosse, Helena foi estraçalhada por Paula e Sheyla, donas de personalidades muito mais fortes. Começava aqui a saga de Lilia Cabral como ladra oficial de cenas das novelas de Manoel Carlos. Os embates entre ela e Carolina eram incendiários. É claro que Helena ganhou o mocinho no final, mas de forma pra lá de apagada. O brilho mesmo foi das neuróticas ex-mulheres do sujeito.


Roberto Valverde


REGINA DUARTE, HELENA EM POR AMOR (1997)
A segunda melhor Helena do autor. Em nome do amor, ela foi capaz de trocar seu filho saudável pelo neto morto. Helena e a filha, Maria Eduarda (Gabriela Duarte), acabaram dando à luz no mesmo dia e horário. Mas o bebê de Eduarda morre logo após o parto e ela ficou impossibilitada de engravidar novamente. Para aliviar a dor da filha, Helena trocou as crianças, sem se importar com o sofrimento que isso causou ao marido, Atílio (Antonio Fagundes). Tudo seria perfeito para Regina. Uma grande personagem, uma história arrebatadora. Mas ela não contava que Susana Vieira, como a altiva e ferina Branca Letícia, fosse tomar conta da novela e atrair todas as atenções. Para piorar, Vivianne Pasmanter, mais uma vez, arrebatou corações como a implacável Laura, e o casal Milena (Carolina Ferraz) & Nando (Eduardo Moscovis) virou o principal par romântico da história. Para piorar, o público se irritava com Helena, a quem considerava chata e chorona. Uma óbvia injustiça com a interpretação maravilhosa de Regina. Mas, não, se nem Jesus Cristo conseguiu a unanimidade...


Maria Bittencourt


VERA FISCHER, HELENA EM LAÇOS DE FAMÍLIA (2000)
O último grande papel de Vera Fischer. Uma Helena novamente loura, linda, mas totalmente dedicada à filha, Camila (Carolina Dieckmann). A tal ponto que abriu mão de seu romance com o gatíssimo Edu (Reynaldo Gianecchini) para a mimada Camila, que também se apaixonou pelo médico. Apesar da boa interpretação de Vera, o drama de Camila – que teve leucemia – atraiu todos os holofotes. Para piorar, uma Deborah Secco, endiabrada como a ninfeta-malvada-debochada Íris, virou a grande atração da novela. E como um auxílio luxuoso, lá estava ela: Lilia Cabral. Seu papel era mínimo (Ingrid, mãe de Íris) e ela morria assassinada logo no início da trama. Mas, mesmo assim, conseguiu roubar cenas. Todo mundo elege o momento em que Camila precisou rapar a cabeça como o mais emocionante da história. Mas para mim foi a cena de despedida de Alécio (Fernando Torres) e Ingrid, com ela lembrando, ao lado do marido agonizante, passagens da vida que tiveram, que mais me comoveu. Lindo, tocante, maravilhosamente bem interpretado e dirigido. Uma apoteose para Lilia e um balde de água fria na cabeça da bondosa Helena.


Divulgação


CHRISTIANE TORLONI, HELENA EM MULHERES APAIXONADAS (2003)
Peguei implicância com a Helena, de Chistiane Torloni, logo nos primeiros capítulos. Altiva demais. Arrogante além da conta. Ela era antipática e ainda tratava todo mundo com um irritante ''meu bem'', que me tirava do sério. Para piorar, seu romance com César (José Mayer) não convencia, muito menos o casamento com Téo (Tony Ramos). Para completar, ela traía o marido, fato que não foi bem aceito pelo público. Com uma personagem tão irregular, foi fácil para Giulia Gam explodir como a ciumenta Heloísa, a verdadeira mulher apaixonada da novela. O drama da professora Raquel (Helena Ranaldi), que amava seu aluno adolescente, Fred (Pedro Furtado), e era vítima das raquetadas do marido sociopata (Dan Stulbach), também agradou muito. E Natália do Vale arrasou como Silvia, dona de casa fogosa, que virou amante do taxista gostosão, Caetano (Paulo Coronato). Ou seja, sobrou muito pouco para Helena fazer.


Willian Andrade


REGINA DUARTE, HELENA EM PÁGINAS DA VIDA (2006)
Certamente a pior de todas as Helenas. Perto dela, a vivida por Christiane Torloni era tudo no mundo. As caras estranhíssimas que Regina fazia também não ajudavam em nada a fazer o público torcer por ela. E Lilia Cabral voltou a roubar a novela para ela na pele da amargurada e interesseira Marta. Não teve para mais ninguém. E olha que o elenco reunia ainda as divas da tela Ana Paula Arósio, Glória Menezes, Sonia Braga, Natália do Vale, Danielle Winits, Renata Sorrah, Vivianne Pasmanter, Letícia Sabatella, Deborah Evelyn, Grazi Massafera, Helena Ranaldi, Christine Fernandes, Regina Alves, Fernanda Vasconcello, Leandra Leal e Louise Cardoso. Todas muito bem em suas personagens, mas nada que se possa comparar ao tour de força de Lilia. Se duvidar, muita gente nem lembra que Regina Duarte estava em Páginas da Vida...


TV Globo - Renato Rocha Miranda


TAÍS ARAÚJO, HELENA EM VIVER A VIDA (2009)
Já ouvi queixas do tipo: Helena é arrogante, é metida a ser madura demais. Ela é antipática e Taís não está nada natural. Até concordo que a atriz está formal demais em algumas cenas. Mas conhecendo Taís Araújo como pessoa e tendo acompanhado sua trajetória desde Tocaia Grande (1995), afirmo sem medo: o problema ali é da direção. Não sei o que se passa no reino de Jayme Monjardim, porque identifico esse comportamento formal também em Ellen (Danielle Suzuki), Ariane (Christine Fernandes) e até no Marcos (José Mayer), entre outros. Sem falar que tudo é muito teatral. Um simples café da manhã em família ou um encontro entre amigos é tratado de maneira tão impessoal e grandiosa... Parece que os personagens estão discursando e não conversando. Mas assisti a cenas lindíssimas de Helena com a irmã, Sandrinha (Aparecida Petrowky), em que Taís deu um show de interpretação. Engessada pela direção, ela tem poucas chances de enfrentar um monstro chamado Lilia Cabral, que tem nas mãos uma personagem muito melhor que Helena. Tereza é amargurada, rancorosa, mas tem um desejo louco de dar a volta por cima. Fica até desigual. E, para piorar, Tereza ainda consegue vencer as discussões com Helena, mesmo estando completamente errada em suas acusações. Tenho uma teoria de que Viver a Vida ainda não começou. Manoel Carlos está fazendo um longuíssimo prólogo e apresentando seus personagens. E que a trama realmente se desenvolverá no ritmo correto depois do acidente que deixará Luciana tetraplégica. Tenho certeza que a partir daí Taís Araújo vai poder mostrar do que é capaz. Sua Helena será corroída pela culpa, vai ser apontada como a responsável pelo drama de Lu e ainda descobrirá que foi traída pelo marido e que outra mulher espera um filho dele. Sem contar que terá de sustentar o marido falido e se apaixonará por Bruno (Thiago Lacerda), o filho bastardo de Marcos... Depois de enfrentar tantos dramas, quero ver quem ainda terá coragem de atirar pedras na personagem. E em Taís. Elas definitivamente não merecem!



Postado por: Marcelo da Silva Novita Junior | 23/10/2009 | (231) Comentários

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